EDIÇÃO Nº 01 — HISTÓRIA COMPLETAFUNDADO EM 1898RIO DE JANEIRO, BRASIL

O GIGANTE

CRVG

DA COLINA

OS CAMISAS NEGRAS CONQUISTAM O RIO

Em seu primeiro ano na primeira divisão do Campeonato Carioca, o Vasco da Gama chocou a aristocracia do futebol com um time formado por negros, mulatos e operários.

Sob o comando do técnico Ramón Platero, o elenco revolucionou a preparação física e tática da época. Foram 11 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota, aplicando goleadas memoráveis nos rivais da zona sul.

"O time de rapazes humildes, que trabalhavam no comércio ou nas fábricas durante o dia e treinavam à noite, quebrou a barreira do preconceito na base do talento."

A RESPOSTA HISTÓRICA

Diante da exigência elitista da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athleticos) para que o Vasco excluísse doze de seus principais jogadores do campeonato, o presidente José Augusto Prestes assinou o documento mais bonito do esporte nacional.

O Vasco abriu mão da liga, recusando-se a discriminar seus próprios atletas. O ofício nº 261 estabeleceu para sempre o clube como o verdadeiro pioneiro da inclusão racial e social no Brasil.

Documento da Resposta Histórica
Fig 2. O OFÍCIO DA DIGNIDADE — Fac-símile da carta enviada à AMEA em 7 de abril de 1924.
Time dos Camisas Negras de 1923
Fig 3. OS CAMISAS NEGRAS — O lendário esquadrão que democratizou o futebol brasileiro.
10 mil operários voluntários na construção de São Januário.
11 meses foi o tempo recorde para erguer o colosso de cimento.
50 mil espectadores na inauguração (Maior da América do Sul em 1927).

A CAMPANHA DOS TIJOLOS

Boicotado pelos rivais, que proibiam o uso de seus campos sob a alegação de que o Vasco não possuía estádio próprio, a resposta veio da torcida.

Em uma mobilização sem precedentes na história do país, torcedores, sócios e comerciantes do bairro doaram dinheiro, materiais de construção e fins de semana inteiros para erguer a nossa casa.

INAUGURAÇÃO EM 1927

O Estádio de São Januário nasceu gigante. Construído inteiramente com recursos populares, sem um único centavo de dinheiro público, foi a prova cabal da força da classe trabalhadora carioca frente às elites da época.

OS HERÓIS DO GRAMADO

Nomes como Nelson da Conceição (goleiro, estivador), Cecy (meio-campista, pintor de paredes) e Paschoal (pontas-direita, cocheiro) deixaram de ser apenas operários para se tornarem imortais na memória da colina.